A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria pediu hoje à Infraestruturas de Portugal uma “atitude de resolução” para minimizar a sinistralidade no Itinerário Complementar (IC) 8, onde este ano morreram cinco pessoas na área do distrito de Leiria.
“O IC8 continua a ser uma preocupação muito grande para os autarcas”, disse à agência Lusa o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM), Jorge Vala, adiantando que a eventual conclusão do projeto de requalificação da via “daqui a dois anos vai prolongar um problema gravíssimo que, infelizmente, tem resultado em perdas de vidas”.
No final de uma reunião do Conselho Intermunicipal da CIM, na cidade de Leiria, Jorge Vala, também presidente da Câmara de Porto de Mós, alertou que “não têm sido poucos os acidentes” e que hoje houve outro sinistro, embora sem vítimas.
“Achamos que a Infraestruturas de Portugal tem de tomar uma atitude de resolução, mesmo que não seja definitiva, para minimizar o impacto que aquela estrada tem na vida das pessoas que a utilizam diariamente”, defendeu o autarca.
Para Jorge Vala, em algumas zonas do IC8 “é possível minimizar esse impacto com separadores centrais, como foi feito na variante de Leiria, acabando com a mortalidade e os acidentes graves”.
“Esta solução, identificando os pontos mais críticos e, sobretudo, com soluções impossibilitando as ultrapassagens nestas zonas, parece-nos que é o primeiro passo para podermos resolver” a sinistralidade, declarou, considerando tratar-se de um investimento que a Infraestruturas de Portugal tem “condições para fazer rapidamente” e “com poucos recursos financeiros”.
Admitindo que “em alguns cruzamentos mais perigosos” possa haver uma “solução semafórica”, o presidente da CIM reiterou que a “solução dos separadores centrais em cimento, como foi colocado na variante de Leiria, é, de certeza absoluta, um fator de minimização dos acidentes graves que têm acontecido no IC8”.
Este ano, a Guarda Nacional Republicana contabilizou cinco acidentes com feridos graves ou vítimas mortais, dos quais resultaram seis feridos graves e cinco mortos (dois dos quais na semana passada), no troço do IC8 no distrito de Leiria, acrescentou fonte do Comando Territorial.
Em 7 de julho, foi publicado em Diário da República o concurso público para estudos de requalificação do IC8, que liga Pombal, no distrito de Leiria, a Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, com preço de 2,4 milhões de euros.
Designado aquisição de serviços para aumento de capacidade do troço entre Pombal (IC2) e Vila Velha de Ródão (Autoestrada 23/Itinerário Principal 2), numa extensão de 100 quilómetros, e respetiva requalificação, o concurso tem um prazo de elaboração de 720 dias.
Nesse dia, o presidente da Câmara de Ansião (distrito de Leiria), Jorge Cancelinha, considerou que a publicação do concurso “representa um passo importante para o futuro do IC8”.
“Depois de anos a alertarmos para a degradação desta via e para os riscos que representa para a segurança das pessoas e para a competitividade do nosso território, é positivo verificar que o processo avança”, declarou Jorge Cancelinha, referindo que “o que as populações e os autarcas esperam é que este procedimento se traduza rapidamente em obra no terreno”.
Também o presidente da Câmara de Pombal (Leiria), Pedro Pimpão, salientou que a publicação do concurso é uma notícia muito positiva para o concelho e “toda a região Centro”, pois é “um passo importante num processo há muito aguardado e que vai ao encontro de uma reivindicação antiga dos municípios, das empresas e das populações”.
Pedro Pimpão frisou que “o IC8 é um eixo estruturante para a mobilidade regional, para a segurança rodoviária, para a competitividade” do tecido empresarial e para a coesão territorial”.
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