A modernização e duplicação do troço Poceirão-Bombel da Linha do Alentejo deu mais um passo com a consignação da empreitada, uma intervenção considerada estratégica para reforçar a competitividade do transporte ferroviário nas ligações entre Lisboa, Évora e Madrid. Em comunicado, na segunda-feira, 27 de julho, a Infraestruturas de Portugal (IP) anunciou o arranque da obra, integrada no Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI2030).
A cerimónia de consignação contou com a presença do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, do presidente da Infraestruturas de Portugal, Paulo Carmona, bem como de representantes dos municípios de Montijo, Palmela e Vendas Novas e de diversas entidades ligadas ao setor ferroviário e à administração pública.
A intervenção representa um investimento global de 270 milhões de euros, dos quais 97,94 milhões são financiados pela União Europeia, através do Programa Ação Climática e Sustentabilidade – Sustentável 2030.
Os trabalhos irão abranger cerca de 25 quilómetros da Linha do Alentejo, entre Poceirão e Bombel, bem como aproximadamente 10 quilómetros da Concordância do Poceirão. O objetivo passa por eliminar constrangimentos de capacidade, melhorar as condições de exploração ferroviária e criar uma oferta mais eficiente para o transporte de passageiros e mercadorias.
Entre os principais benefícios da empreitada destacam-se a redução dos tempos de viagem nas ligações nacionais e internacionais, o aumento da capacidade para circulação de comboios de mercadorias com até 750 metros de comprimento e a adaptação da infraestrutura para velocidades até 200 km/h em comboios convencionais e até 220 km/h nos comboios pendulares.
A Infraestruturas de Portugal refere ainda que esta modernização permitirá responder ao crescimento previsto da procura ferroviária. As estimativas apontam para um aumento de cerca de 20% no número anual de comboios de mercadorias, passando de cerca de 7.695 circulações registadas em 2023 para 9.204 em 2030. Também o número de passageiros deverá crescer aproximadamente 20%, evoluindo de cerca de 594 mil para 710 mil utilizadores por ano.
A empreitada contempla igualmente a remodelação das estações de Poceirão, Pegões e Bombel, a adaptação dos apeadeiros de Fernando Pó e São João das Craveiras, a construção de uma nova estação técnica na Bifurcação de Águas de Moura-Sul, a substituição da catenária, a instalação de novos sistemas de sinalização e telecomunicações, a eliminação de passagens de nível e a construção de novas passagens superiores rodoviárias e pedonais.
Está ainda prevista a duplicação da via sobre a Ponte da Marateca, reforçando um dos principais eixos ferroviários nacionais e aumentando a capacidade da infraestrutura para responder ao crescimento do tráfego de passageiros e, sobretudo, de mercadorias associadas aos portos de Setúbal e de Sines.
Segundo a Infraestruturas de Portugal, esta intervenção integra a estratégia de modernização da rede ferroviária nacional, promovendo uma mobilidade mais sustentável, eficiente e segura, em linha com os objetivos nacionais e europeus de descarbonização e de transferência do transporte rodoviário para o transporte ferroviário.
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