A Polícia Judiciária (PJ), através da Unidade Nacional de Combate à Cibercriminalidade e Criminalidade Tecnológica, deteve dois homens, de 38 e 40 anos, suspeitos da prática de vários crimes informáticos no âmbito de um esquema de fraude conhecido como «smishing», que terá provocado prejuízos na ordem dos 100 mil euros; revelou a PJ, em comunicado.
Segundo a investigação, os suspeitos estão indiciados pelos crimes de abuso de cartão ou de dados de pagamento, falsidade informática, aquisição de dispositivos de pagamento obtidos através de crime informático, acesso ilegítimo e branqueamento de capitais.
As diligências permitiram apurar que, entre 2023 e 2025, os detidos obtiveram dados bancários de diversas vítimas recorrendo a mensagens SMS fraudulentas que continham ligações para páginas falsas, cuidadosamente construídas para imitar os portais oficiais de instituições financeiras.
Ao acederem a essas páginas, as vítimas introduziam as credenciais de acesso às suas contas bancárias, fornecendo, sem o saber, os dados aos suspeitos.
A investigação revelou ainda que o esquema incluía contactos telefónicos realizados através de técnicas de «spoofing», fazendo surgir no telemóvel das vítimas números aparentemente pertencentes às respetivas instituições bancárias. Durante essas chamadas, os suspeitos identificavam-se como colaboradores dos bancos e alegavam a existência de movimentos suspeitos nas contas, convencendo as vítimas a fornecer os códigos de autenticação enviados pelas próprias entidades bancárias.
Na posse dessas credenciais e dos códigos de validação, os suspeitos conseguiam ultrapassar os mecanismos de segurança de dupla autenticação, realizando pagamentos, compras e transferências bancárias em nome das vítimas.
De acordo com a Polícia Judiciária, os montantes obtidos eram posteriormente movimentados através de plataformas de apostas online, onde eram efetuadas apostas de baixo risco e posteriores transferências para contas bancárias associadas, numa tentativa de dissimular a origem ilícita do dinheiro.
A operação permitiu ainda constituir arguidos outros indivíduos alegadamente envolvidos na atividade criminosa.
Os dois detidos serão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal de Loures para primeiro interrogatório judicial, onde serão aplicadas as respetivas medidas de coação.
O inquérito é dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Loures.
Siga-nos nas redes sociais
EmpresasPatrimónioNaturezaGastronomia |